Baixagrafia

Ilustração

Quando a Casa da Esquina me convidou a fazer uma Marquise, pensei “Caramba, e agora?... O que vou expor?”. Isto porque, no meu trabalho diário, não sou uma ilustradora, mas sim uma designer que utiliza a ilustração como uma das suas ferramentas de trabalho. À procura de um tema, lembrei-me de um post de Facebook que escrevi quando soube que a loja Hortícola de Coimbra ia fechar. Eu não sou muito opinativa nas redes sociais, mas a reacção que esse desabafo gerou fez-me perceber que haveria mais pessoas com a mesma preocupação. Este é um excerto:

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

Como contraponto a este cenário, onde a memória tem um papel crucial, é também verdade que a urbanidade da Baixa, enquanto organismo vivo, está sempre em mutação. Para melhor ou para pior? O tempo o dirá... E lá, para ver, estarão as pessoas que, ao longo dos anos, têm mantido os seus negócios abertos ou arriscado abrir novos, naquela zona da cidade. A somar a isso, parece haver no ar um sentimento de que a Baixa é um local com enorme potencial onde, além do comércio e dos serviços, se podem incentivar actividades culturais que fortaleçam a ideia de comunidade e de usufruto de um espaço público que é de todos.

Voltando ao desafio da Casa da Esquina, pensei então na riqueza da história gráfica que a Baixa de Coimbra foi perdendo e, consigo, a sua identidade. De forma instintiva, numa espécie de arqueologia visual, comecei a reunir material gráfico diverso, como reclames, sacos e recibos, baseando-me em objectos que tinha em casa e em fotografias antigas. 

 

“Quem se lembra da mítica loja Eduardo Neves com os seus funcionários sempre prontos para contar piadas ou perguntar adivinhas, cercados por móveis de madeira recheados de frascos, frasquinhos, pregos, materiais de construção, artigos de casa e afins? Quando fecha este tipo de loja, não fecha apenas um negócio, perdem-se histórias e amizades.”

Processo de trabalho
Exposição

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Joana Corker